Tuesday, September 12, 2006

Auto da Barca Moderno - Drama em Prosa Literária versão Semi-Épica

Tem movido jornais e telejornais, um autentico Auto da Barca do Inferno que este Gil Vicente tem levado diariamente a cena de forma incansável durante os últimos três meses. A tragédia é composta por dois personagens principais, duas secundárias (uma delas em estado de profunda esquizofrenia), havendo ainda espaço para vários figurantes.
Gil é um personagem esforçado e empenhado, natural da zona norte de um país subdesenvolvido. Nasceu e foi criado no seio do lucro fácil e da corrupção desmedida, contraindo desde cedo um enorme talento para toda essa actividade. Belém é um dos irmãos mais velhos de Gil. Ambos são filhos de um pai terrivelmente esquizofrénico que não consegue vencer a dupla personalidade que entra em brutal conflito dentro de si. Tem dentro de si a personalidade de Federação, um indivíduo calmo que reflecte os seus momentos mais controlados (por vezes apenas com ajuda de muitos comprimidos anti depressivos); e tem a Liga, o outro lado da sua esquizofrenia avançada, que desponta em si os piores ataques de raiva e loucura, que o conduzem a atitudes que caem desde o arrependimento até ao esquecimento forçado pela sua parte e de todos, independentemente das consequências. Ambos os irmãos filhos do pai esquizofrénico vivem numa contínua angústia derivada de não consentirem a preferência do pai por três dos filhos, em tudo por ele beneficiados.
Tudo se passa numa altura em que o drama do pai se agrava, quando a sua segunda personalidade (a Liga), em que se transforma numa espécie de militarão na reserva, um homem multifacetado para os mais diversos ofícios, capaz das piores atrocidades e negociatas pelo mais pequeno punhado de moedas. Para além disso, cerca de dez anos antes (1496), um delegado do ministério público corrupto, que trabalhava para os lados de S. Bento, ao abrigo de uma falha na Lei, tinha conseguido registar o pai de Gil, Belém e dos restantes irmãos com duas identidades: a Federação, mais calma e moderada, embora nem sempre exemplar; e a Liga: a identidade que levava este pai a cometer os piores erros e que teimava violentamente em separar-se da Federação, originando penosas, violentas e tristes cenas de crise de esquizofrenia. Claro que perante isto, o estado da doença apenas poderia piorar, visto que o próprio pai, bem como alguns irmãos acabavam por, em vez de se aperceber de um caso bicudo de esquizofrenia, não reconhecer o seu próprio pai e encontrar nele dois indivíduos distintos (cada um era uma face da doença mental prolongada).
Numa batalha, Gil infringe as regras. Põe em combate um indivíduo que não estava registado como soldado, mas sim como porteiro. Tal atitude ia contra as regras de educação dura que o pai esquizofrénico tinha dado aos seus filhos. Pena era que o seu estado de deterioração mental já estivesse demasiado avançado para que este tomasse uma decisão do castigo a aplicar sem voltar atrás algumas dezenas de vezes.
O líder espiritual do pai (Fernando Inácio Fernandes Alberto), ao saber que ele não controlava a sua vida familiar como seria de esperar de um pai mentalmente saudável, ameaçou vir a castigar todos os irmãos, não os voltando a convidar para os cobiçados torneios anuais que organizava. Para isso dava os exemplos dos irmãos estrangeiros. Porém a intolerância insensível de FIFA não compreendia uma coisa: os pais das famílias europeias eram mentalmente saudáveis; lá longe, nos seus países, não havia uma autoridade paternal tão debilitada e esquizofrénica como no país de Gil, de Belém e dos restantes 14 irmãos. Nisto Gil, teimoso e manhoso, tenta a todo o custo salvar-se da gravidade da situação recorrendo aos mesmos delegados do ministério público que tinham agravado os problemas mentais do seu pai. Porém, FIFA (líder espiritual), sabendo o perigo que isso viria a ser e o descrédito que lhe viria a trazer, desautoriza Gil. Este teima em não se fazer rogado, admitindo não temer ser deserdado e começar uma nova vida do zero, mesmo que para isso queime todos os seus irmãos. Para isso, conta com o apoio da quase totalidade dos abutres que se passeiam pelo seu país alegremente. Ao saber que Belém iria lucrar com o castigo de Gil que o pai não conseguia decidir, aparece Leixões, um bastardo idoso, figurante que tenta de forma tão fugaz como frustrada deitar a mão aos proveitos, lamentando-se por se achar incompreendido.

Um desenrolar interessantíssimo, um elenco fora de série, momentos de drama, romance e comédia, numa peça a não perder em qualquer teatro perto de si todos os dias. Entrada livre. Não deixe de ficar para ver. Tal como eu, você vai ficar doido para saber como acaba.

Leia-me também em www.amesadecafe.blogspot.com

Friday, September 08, 2006

Liga Show-de-bolaBetandWIn

A liga Bwin já começou e o show de bola tem o prazer de apresentar a tabela de apostas para o primeiro treinador a bater com a porta ou ser vitima de uma enorme chicotada psicológica como os dirigentes portugueses tanto gostam de fazer...
Na terceira ou na setima jornada?Antes ou depois do natal?Bem ou mal despedido? Para quando os primeiros lenços brancos? Terei capacidade para aguentar ameças à minha família?Vão me partir o carro?Estas são as perguntas que ao longo da época que agora se inicia atormentão qualquer "homem do leme" de um clube português...


De cima para baixo vão aparecer os menos valiosos(e aqueles cuja a conjuntura do seu clube não é propicia a um bom trabalho também acontece as coisas nem sempre são só culpa do treinador) ou seja os que tem mais probabilidade de serem despedidos ou apresentarem a demissão depois de um triste coro de assobios, como disse uma vez Co Adrianse, "lenços brancos?eram de adeptos do Benfica"! *

Fernando Santos, Benfica
Ulisses Morais, Marítimo
Professor Neca, Desportivo das Aves
Dáuto FáquiraEstrela da Amadora
José Mota, Paços de Ferreira
Hélio Sousa, Sétubal
Augusto Inácio, Beira-Mar
Rogério Gonçalves, Naval
Carlos Brito, Nacional da Madeira
Petrovik, Boavista
Domingos Paciência, Leiria
Jesualdo Ferreira, Porto
Carlos Carvalhal, Braga
Paulo Bento, Sporting
Manuel Machado, Académica




*por não se saber o desfecho do caso Mateus não coloquei nem Paulo Alves nem Jorge Jesus, duas hipotéticas saídas ainda antes do Natal...

Monday, September 04, 2006

"Caos" Mateus

Depois de mais de um mês de ociosidade, regresso à blogosfera nacional falando abertamente sobre o caso que tem dominado por completo as noticias, vulgarmente conhecido por “ caso Mateus”, este escândalo, digamos assim, lisonjeiramente, é mais do que uma simples disputa por um lugar na liga Bwin, com a insistência do presidente gilista em avançar até ás ultimas consequências podemos estar perante uma acção judicial impar no futebol.

Acima de tudo este “caos” prende-se numa questão laboral, o Gil como qualquer instituição, recorreu a um tribunal para validar um contrato que havia sido forjado pelo Lixa, tudo isto segundo o sr. António Fiúza presidente do Gil Vicente, e por esse acto livre tomado num estado de direito em que a justiça civil consagra todos os cidadãos e instituições é punido com a descida de divisão.

Olhando para as leis da FIFA, o que o clube de Barcelos fez, é grave e deve ser castigado, as leis desportivas existem para ser cumpridas, e as leis dos tribunais civis não tem qualquer poder para arbitrar o futebol. Nesta perspectiva, o Gil é um justo condenado. Nesta perspectiva o Gil criou um imbróglio que pode ter consequências nefastas para todos os clubes que disputam provas internacionais. Assim, sapientes vozes insurgem-se ferozmente contra a posição irredutível dos minhotos em “ir para a frente, até ao fim, pela verdade”. Ao recorrer ao tribunal civil, o clube de Barcelos, obriga a FIFA a intervir e a proteger os seus interesses e suspender os clubes portugueses de todas as competições internacionais, será então justo um clube, seja porque razões forem, por em causa todo o futebol português?


Dizem por ai que este caso, manchou o nome de Portugal no estrangeiro, mas na minha modesta opinião vejo mais motivos de orgulho, caso o Gil avance até as ultimas consequências. A FIFA, essa organização, de mafiosos há muito que manda no futebol de maneira barbara, aproveitando-se da popularidade do desporto para fazer enriquecer os seus membros.
A lei que proíbe qualquer clube em recorrer a um tribunal civil é verdadeiramente escandalosa. Mais, faz com que o futebol tenha um foro jurídico aparte algo impensável numa sociedade moderna e livre. Nem a ONU, tem a capacidade para intervir e condicionar a actividade de uma instituição que aparentemente não fez nada que fuja à lei.



Por fim, deixo o meu total apoio à luta gilista. Não porque me identifique com o seu líder (longe de mim), não porque gosto do clube, não porque tenha algo contra o Belém ou o Leixões, mas porque neste momento encontra-se num combate sem precedentes (o caso Bosman tem contornos semelhantes) não com a Liga nem com a Federação mas sim contra essa instituição que apodrece o futebol e dá pelo nome de FIFA.



Fora de piada, esta enorme confusão ainda nos porporciou alguns momentos de diversão

"o juiz só me tem que dizer se é para realizar o benfica belenenses e o leixões gil vicente ou se é o benfica gil vicente e o leixões belenenses" Valetim Loureiro

"se não jogar vou ao jardim zoologico para ver os animais" Antonio Fiuza

"esse homem ja fez mal demais ao futebol português" Cunha Leal

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Sunday, September 03, 2006

Boas combada!
De volta a estas lides, eis algumas ideias prévias para esta época.

1. Grandes - O Glórias não me parece ao nível dos outros dois. Tem o maestro, o Mantorras e o Simão mas mesmo assim faltam mais 8 jogadores para dar uma equipa razoável. E um outro para entrar aos 15 minutos quando o Rui Costa começar a rastejar. O Sporting tem malta jovem, um treinador ambicioso, uma equipa coesa. Bons jogadores em todas as posições, e um óptimo espírito de equipa. Bastante bom. O FêCêPê vem saidinho da primeira chicotada psicológica da época, o que nunca é bom. Em contrapartida, o prof. Jesualdo é um técnico com provas dadas em equipas de todo o campeonato (inclusivé na Briosa), um método de trabalho rígido e uma eficácia irritante. Concluindo: a liga vai ser decidida entre Porto e Sporting.

2. Caso Mateus - Recapitulando: O Belém desceu por demérito desportivo, juntamente com Guimarães (woohoo!!), Rio Ave e Penafiel. O Gil Vicente desceu por ter recorrido aos tribunais não-desportivos (e não pela inscrição irregular do jogador Mateus - o que torna ridículo o nome do caso). A minha visão das coisas: Desceram 5 equipas e, como no escalão máximo do futebol português têm que estar 16, é necessário que subam 3 em vez das 2 que estavam previstas subir. Conclusão: sobe o Leixões. Emocionalmente falando, a minha preferência seria ter o Belenenses a disputar a Liga, uma vez que é uma equipa cheia de história, amiga de todos, com quem a Académica tem boas relações etc... Pensando no melhor para a minha Briosa, é definitivamente melhor que suba o Leixões. Porquê? Porque tanto a pré-poca que a equipa realizou como as contratações efectuadas foram feitas a pensar numa Liga de Honra, querendo isto dizer que o Leixões não está pronto para disputar a I Liga, a mais importante, a dos bons. Assim, o Leixões é, desde já, uma equipa pré-disposta a descer.

3. A BRIOSA - Apesar de ter perdido peças importantes da sua formação, a Académica reforçou o seu plantel em todos os sectores e, pela primeira vez em largos anos, com grande qualidade. Na defesa, Zé Castro e Hugo Almeida foram substituídos por Litos e Medeiros. Nada se perde, a não ser alguma falta de jeito, proveniente do nosso amigo Alcântara. No meio campo, Dame N'Doye, Pavlovic, Alexandre e Paulo Sérgio vieram disputar o lugar com Roberto Brum, que acabou por permanecer na Briosa após de muita conversa acerca da sua provável saída. Já Osmane N'Doye (o original) aceitou a proposta da equipa egípcia treinada por Humberto Coelho e deixou Coimbra. No ataque, entradas de peso. Aquele que é já apelidado de nova esperança do futebol português, Helder Barbosa, veio dar cor ao futebol dos capas negras. Também a maior figura da pretérita Liga de Honra, Miguel Pedro, ex-Aves trouxe velocidade ao ataque negro. Mesmo de luto pela perda do prodigiosamente sobrenatural Joeano, não posso deixar de confiar em Gyano, ponta de lança húngaro, o novo homem de área da Briosa. Creio que, aos comandos de Manuel Machado a Académica vai encontrar um rumo vencedor.

4. O Campeonato - A Briosa lá empatou em Setúbal com um soberbo golo do soberbo Hélder Barbosa. Mas teve também esta jornada inicial dois grandes momentos. O não-momento do jogo do Benfica, que me fez pensar que se iria mesmo realizar uma espécie de torneio quadrangular e a reunião na mesma cidade de Mário Jardel e Professor Neca. Mera coincidência? Não creio, amigos.

Em breve voltarei, com estas e outras adendas